Embate na Lua

dateColocado às 00:01 a 09 de Outubro de 2009 por Joao Clerigo

Actualização: O impacto aconteceu como previsto. Mas o que não estava previsto era não ser ver nada. Não houve nenhum observador que com equipamentos em Terra tenha conseguido ver o que fosse, nada, mesmo nadinha. Nem mesmo os grandes observatórios conseguiram. O video em directo transmitido pela NASA em directo da LCROSS também não mostra nada do impacto do Centauro (estágio do foguete Atlas V). Nesse aspecto, tratou-se de uma grande desilusão. Resta esperar agora pelos relatórios ciêntificos e das imagens em outros comprimentos de onda.

É já hoje (às 11:31:19 T.U.) que a sonda LCROSS (sigla para Lunar Crater Observation and Sensing Satellite) e o andar superior de um foguetão Atlas V, que a lançou no passado dia 18 de Junho, será “sacrificada” em nome da ciência, indo embater contra a Lua numa zona do pólo sul, na cratera Cabeus.

Mas para quê arrebentar deliberadamente com um equipamento que custou US $79 milhões? Para os cientistas, é fácil justificar o sacrifício. Para buscar evidências de água em crateras lunares, até é barato.

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Não é a primeira vez que se mandam objectos coisa contra o pólo sul lunar para ver se aparece água. A Lunar Prospector já fez o mesmo em 1999, mas sem grande sucesso porque a sonda era leve, apenas com 150kg.

A sonda LCROSS que viaja com o último estágio do foguete Atlas V que a lançou, tem quase 13 metros de comprimento e é o primeiro a embater. Espera-se que o embate produza uma nuvem de destroços que deve conter, entre outras coisas, vapor de água, isto se as teorias estiverem correctas. Essa nuvem de poeira e gás causada pelo duplo impacto será analisada por vários telescópios na Terra e mesmo pelo Hubble, mas a principal fonte de análise será a LCROSS, que vai atravessá-la.

Durante a travessia, de apenas 4 minutos, a sonda deverá ser capaz de capturar e analisar amostras dos destroços, mandando de volta à Terra sua análise química. Não há margem para erros: a mesma rota que vai colocar a LCROSS no curso para “furar” a nuvem fará com que a sonda também se esborrache depois contra a superfície da Lua. São 4 minutos para fazer valer os US $79 milhões.

A Lua terá a partir de hoje, se tudo correr como planeado, duas novas cicatrizes a primeira, uma cratera de 20 x 4 m de profundidade e a segunda de 14 x 2m de profundidade, resultado de um encontro a cerca de 8.000 km/h, mais de sete vezes a velocidade do som. A explosão terá a força de 1,5 tonelada de TNT e é suposto que consiga arrancar da Lua mais de 300 toneladas de poeira lunar para fora da cratera.

Mas estas colisões só serão um bom entretenimento para quem possa ver pelo computador, porque à hora do embate, é dia em Portugal e não poderemos observar directamente pelo telescópio. O embate será transmitido ao vivo pela Nasa TV.

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